Estados Unidos x Irã: um histórico de tensões desde a Segunda Guerra Mundial

Liz Batista - Estadão Acervo

09/01/2020 | 09h06   

Acompanhe pelas páginas do Estadão mais de 70 anos de embates entre os dois países

Do envio de tropas americanas ao Irã ocupado durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, ao ataque americano que matou o general da Guarda Revolucionária do Irã, Qassim Suleimani. Acompanhe mais de 70 anos de relações conturbadas entre Irã e Estados Unidos através das páginas do Estadão.

 

Iranianas perto de prédio em Teerã com a mensagem "Abaixo os EUA" em 13/4/2006. Foto: Armando Fávaro/Estadão

Iranianas perto de prédio em Teerã com a mensagem "Abaixo os EUA" em 13/4/2006. Foto: Armando Fávaro/Estadão Foto: Armando Fávaro/Estadão

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

1941

Sob pressão das forças militares anglo-soviéticas, que ocuparam o Irã durante a Segunda Guerra Mundial, o xá do Irã Reza Pahlevi abdica em favor do seu filho Mohammad Reza Pahlevi

 

O Estado de S.Paulo - 27/08/1941Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 27/08/1941Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

1942

Durante o esforço de guerra aliado contra os nazistas, Estados Unidos enviam tropas ao Irã para coordenar o abastecimento do fronte soviético, com armas, petróleo e mantimentos através das rotas do Corredor.

Durante a 2ª Guerra Mundial, os líderes das potências aliadas, Josef Stalin (União Soviética), Franklin Delano Roosevelt (Estados Unidos) e Winston Churchill (Reino Unido), reunem-se em Teerã para discutir estratégias contra os nazistas, 1943

Durante a 2ª Guerra Mundial, os líderes das potências aliadas, Josef Stalin (União Soviética), Franklin Delano Roosevelt (Estados Unidos) e Winston Churchill (Reino Unido), reunem-se em Teerã para discutir estratégias contra os nazistas, 1943 Foto: Reprodução

1943

O primeiro acordo entre as superpotências da Segunda Guerra Mundial é firmado na Conferência de Teerã, em novembro de 1943. Durante o encontro, que reuniu o presidente americano Franklin Delano Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o líder soviético, Josef Stalin, foi definida a estratégia de enfrentamento contra os nazistas na França e a divisão de territórios do Leste Europeu. Durante o encontro os Estados Unidos pressionaram britânicos e soviéticos ao compromisso de retirar suas tropas de território iraniano após o final da guerra.

O Estado de S.Paulo - 07/12/1943Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 07/12/1943Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

GUERRA FRIA

1953

O Estado de S.Paulo - 17/01/1953Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 17/01/1953Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

A CIA e o serviço secreto britânico orquestram um golpe para depor o primeiro ministro iraniano, Mohammed Mossadegh, e implementar uma monarquia parlamentar centrada na figura do xá Reza Pahlevi, pró-Ocidente e alinhado com os interesses anglo-americanos. Em 1951, Mossadegh, com o apoio do parlamento iraniano, nacionalizou a indústria de petróleo no país. 

1979

Apoiadores do aiatolá Khomeini mostra sua imagem em Teerã, no Irã, durante a revolução islâmica de 1979

Apoiadores do aiatolá Khomeini mostra sua imagem em Teerã, no Irã, durante a revolução islâmica de 1979 Foto: REUTERS

Revolução Islâmica. Manifestações tomam as ruas do Irã e derrubam a monarquia do xá Reza Pahlevi. O xá é forçado a deixa o país em 16 de janeiro de 1979. O popular líder religioso islâmico aiatolá Khomeini retorna do exílio na França. Sua força aglutinadora faz ele despontar como principal liderança do movimento.

O Estado de S.Paulo - 17/01/1979Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 17/01/1979Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

Em fevereiro, durante a 2ª onda da Revolução Islâmica, os Estados Unidos retiram seus cidadãos do país. Em abril de 1979 é proclama a República Islâmica do Irã. 

O Estado de S.Paulo - 02/02/1979Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 02/02/1979Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

Novembro de 1979

O Estado de S.Paulo - 06/11/1979Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 06/11/1979Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

A embaixada americana em Teerã é ocupada por manifestantes em novembro de 1979.  Sob poder de estudantes iranianos, americanos são mantidos reféns por 444 dias dentro do prédio.

 Americanos são mantidos reféns na embaixada americana em Teerã, 1979

 Americanos são mantidos reféns na embaixada americana em Teerã, 1979 Foto: REUTERS

1980

Em 07 de abril de 1980, o presidente americano, Jimmy Carter, rompe relações diplomáticas com Irã e impõem novas sanções contra o país, após o aiatolá Ruhollah Khomeini decidir pela permanência dos reféns americanos na embaixada até decisão do novo Parlamento iraniano. No mesmo mês, é frustrada a ação militar americana, ordenada pelo presidente Jimmy Carter, para libertar os 52 reféns cativos na embaixada. O fracasso da operação danifica o prestígio internacional dos EUA.  

 

Em rede nacional, Carter sobre o fracasso da missão de resgate dos EUA, 1980Reprodução/Miler Center. Clique aqui para ver o vídeo

Em rede nacional, Carter sobre o fracasso da missão de resgate dos EUA, 1980Reprodução/Miler Center. Clique aqui para ver o vídeo Foto: Reprodução/ Miler Center

Setembro de 1980

Guerra Irã-Iraque. Tropas iraquianas invadem o sul do território iraniano, dando início à guerra Irã- Iraque, em 22 de setembro de 1980. O conflito durou oito anos, custou centenas de bilhões de dólares, que durou oito anos, e foi o mais sangrento desde a Segunda Guerra Mundial. Estima-se que cerca de um milhão de pessoas morreram devido à guerra. Oss Estados Unidos forneceram, durante as administrações Reagan e Bush, auxílio militar e financeiro ao Iraque

1981

O Estado de S.Paulo - 22/01/1981Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 22/01/1981Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

Um dia antes da posse do presidente Ronald Reagan, Estados Unidos e Irã assinam o Acordo de Argel, que coloca fim à crise dos reféns americanos no Irã. No dia seguinte, os 52 reféns mantidos na embaixada dos Estados Unidos em Teerã são libertados.

1985- 1986

 

O Estado de S.Paulo - 05/12/1986Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 05/12/1986Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

Escândalo Irã-Contra. Vem à público o esquema de contrabando de armas para o Irã, conduzido por membros da CIA, em troca da promessa de que fosse facilitada a libertação de reféns americanos do grupo terrorista Hezbollah no Líbano. Os fundos revertidos com a venda ilegal, no mesmo esquema, ajudou a financiar os Contra, grupo rebelde que lutavam contra o governo sandinista de Somoza na Nicarágua. O escândalo abalou a administração Reagan

1988

Um avião de iraniano com 290 pessoas a bordo é abatido pelo  navio de guerra americano USS Vincennes, após ser confundido com um avião de caça. O incidente não deixou sobreviestes. A maioria dos passageiros eram peregrinos muçulmanos a caminho de Meca. O aiatolá Khomeine propõe "guerra total", contra os Estados Unidos.

 

O Estado de S.Paulo - 05/07/1988Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 05/07/1988Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

2002

Eixo do mal. Em 29 de janeiro de 2002, durante seu discurso no Estado da União, o presidente americano, George W. Bush, denuncia Irã, Iraque e Coreia do Norte como países pertencentes ao que chamou de “Eixo do Mal”- nações inimigas dos Estados Unidos que apoiam grupos terroristas, possuem armas de destruição em massa e estariam desenvolvendo armas nucleares. O discurso aconteceu no contexto da Guerra ao Terror, campanha militar desencadeada pelo governo Bush em represália os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

 

O Estado de S.Paulo - 30/01/2002Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 30/01/2002Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

O governo Bush acusa o Irã de manter um programa clandestino de armas nucleares. Teerã nega. A primeira década dos anos 2000 é marcada pela atividade diplomática para solucionar a crise. Com intermediação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da Organização das Nações Unidas (ONU) e visitas de inspetores do órgão de vigilância nuclear da ONU ao país.

 Entrevista coletiva com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Irã, 24/04/2006.Foto: Armando Favaro/ Estadão

 Entrevista coletiva com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Irã, 24/04/2006.Foto: Armando Favaro/ Estadão Foto: Armando Favaro/ Estadão

Novas sanções são impostas pelos Estados Unidos e União Europeia contra o governo do  ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, agravando a crise econômica no Irã.

2009

Revolução Verde. Centenas de manifestantes saem às ruas de Teerã e outras grandes cidades do  Irã para  alegando fraude no resultado das eleições presidenciais que apontavam a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. O candidato opositor, Hossein Mousavi, pede a anulação do resultado das eleições.

O Estado de S.Paulo - 14/06/2009Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 14/06/2009Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

Os protestos crescem e apoiadores de Ahmadinejad também saem às ruas. Representantes dos Estados Unidos e da ONU criticam, a repressão contra as manifestações no país.

2013

Em setembro de 2013, o presidente americano, Barack Obama, fala por telefone com o novo presidente iraniano, o moderado, Hassan Rouhani. A conversa, a primeira entre líderes dos dois países após 30 anos, inicia um movimento de retomar das negociações para um pacto nuclear com o Irã.

 

O Estado de S.Paulo - 28/09/2013Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 28/09/2013Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

2015

O Irã assume um acordo de longo prazo, com Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, China e Rússia e Alemanha, concordando em limitar as atividades do seu programa nuclear e permitir a visita de  de inspetores internacionais em troca do levantamento de algumas das sanções econômicas.

O Estado de S.Paulo - 05/07/2015Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 05/07/2015Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

2018

O presidente dos EUA, Donald Trump, abandona o acordo nuclear em maio de 2018, indica que irá  restabelecer as sanções econômicas contra o Irã e ameaça fazer o mesmo com países e empresas que  compradoras de petróleo iraniano. A economia do Irã recrudesce e o país entra em recessão.

Donald Trump fala sobre a crise com o Irã, Washington, DC, 08/01/2020. Foto: Saul Loeb / AFP

Donald Trump fala sobre a crise com o Irã, Washington, DC, 08/01/2020. Foto: Saul Loeb / AFP Foto: SAUL LOEB / AFP

2019

Seis navios petroleiros são atacados no Golfo de Omã, entre os meses de maio e abril de 2019. Os  Estados Unidos apontam o Irã como responsável e anunciam o envio de  tropas para Oriente Médio.

O Estado de S.Paulo - 14/06/2019Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 14/06/2019Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

Em 20 de junho, o Irã abate um drone militar americano sobre o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos afirmam que ele estava em águas internacionais, enquanto o Irã declara que a aeronave estava no espaço aéreo do país. O Irã retrocede em compromissos assumidos com o acordo nuclear.

O Estado de S.Paulo - 22/06/2019Clique aqui para ver página ampliada

O Estado de S.Paulo - 22/06/2019Clique aqui para ver página ampliada Foto: Acervo/Estadão

2020

Um ataque americano, em 03 de janeiro, mata o general iraniano Qassim Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã e principal estrategista militar do país.

 

O general Quassim Suleimani, morto em ataque dos Estados Unidos

O general Quassim Suleimani, morto em ataque dos Estados Unidos Foto:

O Irã promete se retira do acordo nuclear e promete retaliação. Quatro dias depois, o Irã ataca duas bases militares americanas no Iraque.

 

 

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