Jô Soares: "É impossível censurar a gargalhada"

Acervo - Estadão

05/08/2022 | 12h16   

Leia entrevista de 1990 em que o artista falou sobre política, humor, TV e teatro

 Jô Soares no traço de Loredano em 2005. 

 Jô Soares no traço de Loredano em 2005.  Foto: Loredano/Estadão

Consagrado como entrevistador depois de anos de sucesso como humorista, Jô Soares [1938-2022] recebeu a imprensa para uma entrevista em 1990 por causa da reestreia de seu show "O Gordo ao Vivo" no teatro. Para a repórter Regina Echeverria, Jô se disse também à vontade no papel de entrevistado: "Sempre fui alvo e seta ao mesmo tempo". 

Entre outros temas, Jô falou sobre o poder do riso: "A reação de uma gargalhada é uma coisa incensurável, incontrolável. Tem a mesma força que a reação de um estádio de futebol cheio. Quando xingam o juiz, ou acham ridículo algo que acontece no campo, não há censura que segur isso, Nem no auge da ditadura havia como impedir que você xingasse o juiz ou que 100 mil pessoas dissesem um palavrão em coro. É impossível censurar uma gargalhada."

Leia a íntegra da entrevista, veja galeria e relembre outros momentos da vida de Jô Soares.

>> Estadão - 6/9/1990

>> Estadão - 06/9/1990

>> Estadão - 06/9/1990 Foto: Acervo/Estadão

Em outra conversa com o Estadão, esta em 05 de maio de 1985, Jô Soares e outro gênio da arte da comédia, Chico Anysio, discutiram as bases para o humor e contaram como era a concepção de seus programas e personagem.

Em 5 de maio de 1985 o Estadão reuniu dois gigantes do humorismo brasileiro, Jô Soares e Chico Anysio, para uma entrevista exclusiva. Foto: Geraldo Guimarães/Estadão

Em 5 de maio de 1985 o Estadão reuniu dois gigantes do humorismo brasileiro, Jô Soares e Chico Anysio, para uma entrevista exclusiva. Foto: Geraldo Guimarães/Estadão Foto: Geraldo Guimarães/Estadão

Entre as declarações de Jô Sores, vale destacar outra defesa da liberdade de expressão inerente ao humorismo. Ele declarou " o humor sempre foi uma arma de combate em todos os tempos (...)". Depois explicou porque acreditava na necessidade do humorista ser um "anarquista", um apartidário: "acho fundamental que o humorista não tenha um engajamento político-partidário. Porque, no fundo, ele tem de ser um anarquista, no melhor sentido da palavra; quer dizer, ele tem de estar sempre pronto para poder criticar qualquer facção, qualquer área (...) Acho que o artista só pode subir num palanque para pedir eleições diretas em todos os níveis (...)". Confira a entrevista:

>> Estadão - 05/5/1985

>> Estadão - 05/5/1985 Foto: Acervo/Estadão

 

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