Terrorismo já rondava Munique antes dos Jogos

Carlos Eduardo Entini

25/07/2012 | 19h36   

Grupo Setembro Negro já havia cometido três atentados na Alemanha em 1972

Se quatro anos antes, no México, os punhos fechados dos atletas negros americanos contra a segregação racial mostraram ao mundo a força de um gesto para um protesto pacífico, em Munique/72 a política entraria nos Jogos de maneira trágica e violenta. 

O Estado de S. Paulo - 26/7/2012

O atentado realizado na Vila Olímpica pelo grupo terrorista Setembro Negro chocou o mundo, com a morte brutal de 11 atletas israelenses e três guerrilheiros.  A ação, que quase cancelou os Jogos, foi o ápice de uma série de atentados que rondavam o país-sede naquele ano.

Em 6 de fevereiro, a organização palestina já executara cinco jornalistas jordanianos acusados de serem espiões de Israel, na cidade de Bruehl, perto de Colônia.  Dois dias depois, em Hamburgo, a fábrica Etroefr foi atacada com dinamite.  Ela foi escolhida por ser fornecedora de material eletrônico para Israel.  Também no mesmo mês e cidade, foram dinamitadas várias instalações de gás natural.

A Olimpíada de Munique tinha importância simbólica para a Alemanha, que pretendia exorcizar a tensão dos Jogos de Berlim, em 1936, usados pelo regime nazista para exibir seus ideários de superioridade racial.

Além do atentado, outros fatos fugiram do roteiro em Munique.  O avião da delegação de Cuba invadiu o espaço aéreo europeu e só se identificou perto de Munique, quando pediu autorização para descer.  O incidente foi relevado para não interromper "a paz da Olimpíada". 

A participação da Rodésia, país africano de regime racista, gerou manifestações de 15 nações africanas, dos atletas negros dos EUA e da Venezuela.  A pressão e ameaças de boicote resultaram na eliminação do país, contra a vontade do presidente do COI. 

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