75 anos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

Liz Batista - Acervo Estadão

06/08/2020 | 03h13   

Saiba como Estadão cobriu o uso da devastadora arma que mudou o mundo

Imagens da  explosão da bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima em 06/8/1945.

Imagens da  explosão da bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima em 06/8/1945. Foto: Reuters

A maior e mais poderosa bomba já fabricada em toda a história da humanidade”. Há 75 anos, o presidente americano Harry S. Truman utilizou essa frase para descrever a bomba atômica, arma que ele ordenou que fosse usada no ataque aéreo contra as cidades japonesa de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945 e Nagasaki, três dias depois, durante a ofensiva de arrasamento total do Japão no final da Segunda Guerra Mundial. A bomba contra Hiroshima é lembrada como um dos grandes horrores que marcaram o conflito - ela foi lançada sem nenhum alerta no centro da cidade, matou 140 mil pessoas, sendo mais de 90% civis não combatentes, mulheres e crianças. Metade das vítimas morreram instantaneamente. 

> Estadão - 07/8/1945

> Estadão - 07/8/1945

> Estadão - 07/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

Ainda hoje, a frase proferida por Truman define com precisão o armamento. Um invento tão devastador que causou a morte estimada de mais de 200 mil japoneses, deu origem ao termo “arma de destruição em massa” e transformou os conceitos de destruição mútua e aniquilação nuclear em um temor global durante o período da Guerra Fria.

> Estadão - 09/8/1945            > Estadão - 11/8/1945 

> Estadão - 09/8/1945     > Estadão -11/8/1945 

> Estadão - 09/8/1945     > Estadão -11/8/1945  Foto: Acervo/Estadão

Os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, não definiram apenas o final da Segunda Guerra Mundial - oficializado com a rendição oficial do Japão em 2 de setembro daquele ano - mas marcaram profundamente o mundo pós-guerra. As bombas atômicas de 1945 foram as únicas utilizadas em conflitos em toda a História. 

 

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

Devastação causada pela explosão da bomba atômica em Hiroshima. 

Devastação causada pela explosão da bomba atômica em Hiroshima.  Foto: U.S. National Archives via REUTERS

A cobertura. O anúncio da detonação das bombas, a extensão dos danos causados, a assombroso número de vítimas, a acusação japonesa de violação do Direito Internacional Humanitário pelos Estados Unidos e a capitulação do Japão foram noticiados pelo Estadão. No período o jornal estava sob intervenção da ditadura do Estado Novo e a imprensa era regulada pela censura de guerra.

Selecionamos 10 trechos da cobertura que remontam os dias que sucederam os ataques, dias marcados pela percepção de que mundo nunca mais seria o mesmo. 

1 - Foi através de um comunicado oficial feito pelo presidente americano Harry S.Truman que o mundo ficou sabendo que uma bomba atômica havia sido usada no ataque desfechado contra a cidade japonesa de Hiroshima em 6 de agosto de 1945.

>Estadão - 7/8/1945

> Estadão - 7/8/1945

> Estadão - 7/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

 

2 - No comunicado, Truman informava que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima tinha “mais potencia que uma carga de 20 mil toneladas de T.N.T”, tratando-se da “maior bomba até agora conhecida na história da guerra

3 - O Estadão de 9/8/1945 relatava o trágico cenário após o ataque à Hiroshima. Segundo o boletim de uma rádio de Tóquio a bomba havia havia matado “todos os seres vivos, homens e animais de Hiroshima”, quem estava fora de casa morreu queimado, "os que se encontravam no interior das casas foram mortos pela pressão e calor indescritíveis". O comunicado dizia que "o projétil atômico ocasionou a maior destruição instantânea já alcançada pela mão do homem em todas as épocas"

> Estadão - 09/8/1945

 

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

4 -  Ainda sobre o poder destrutivo da bomba atômica, relatos de Hiroshima diziam que era “impossível distinguir entre os homens e mulheres mortos pelo fogo.” Nos telegramas, o Japão lembrava que a Convenção de Haia considerava imperdoável ataques contra cidades abertas.

5 - As primeiras fotografias feitas por aviões de reconhecimento após o ataque foram descritas assim: "A primeira fotografia mostra que um calor comparável ao de um corpo estelar generalizou-se pela cidade quando a bomba atômica explodiu no coração de Hiroshima"

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945

> Estadão - 09/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

6 - As informações publicadas em 8/8/1945 falavam sobre um novo ultimato a ser enviado ao Japão sob a ameaça de novos bombardeios atômicos. No dia seguinte, em 9/8/1945  as forças americanas  lançavam uma bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki. 

7 - A edição do dia 10/8/1945 noticiou o uso da segunda bomba atômica contra o Japão, no bombardeio à Nagasaki. A nota dizia que a cidade havia sido “riscada do mapa

> Estadão - 10/8/1945

 

> Estadão - 10/8/1945

> Estadão - 10/8/1945 Foto: Acervo/Estadão

8 - Uma descrição do cenário assolador em Nagasaki ,12 horas após o ataque, foi publicada na edição do dia 11/8/1945. “Nagasaki era uma massa informe de fumaça e fogo (…) Afastamo-nos convencidos de que era impossível ter ficado algo com vida na zona afetada”, relatou um repórter. 

9 - A edição do dia 11/8/1945  publicou o protesto do Japão contra as bombas atômicas. O país solicitava em nota que fosse suspenso “imediatamente o emprego de armas tão desumanas  como a bomba atômica” e dizia que os bombardeios constituíam um “novo crime contra a humanidade e a civilização.”   

10 - Em 12/8/1945, o Estadão publicou um comunicado do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, que afirmava que a radiação das bombas não provocaria “efeitos nocivos posteriores” à sua explosão. Hoje sabe-se que milhares de sobreviventes dos bombardeios morreram em decorrência dos efeitos da radiação e que as gerações seguintes também sofreram com problemas graves de saúde. 

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