A visita de Marlene Dietrich ao Brasil
Liz Batista - O Estado de S.Paulo
16/08/2019 | 16h29   
Há 60 anos, diva realizou shows no Rio e São Paulo e encantou fãs com sua beleza gélida
Era uma sexta-feira de elevada temperatura no inverno carioca quando o mito, Marlene Dietrich, desembarcou de um avião da Varig no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1959. A estrela do cinema veio aos trópicos para uma curta temporada de shows no Rio e em São Paulo, onde, acompanhada do pianista Burt Bachara, se apresentou em recitais de enorme sucesso.
Ao descer as escada da aeronave, surpreeendeu-se com a calorosa recepção. Fãs, personalidades e membros da imprensa tomaram o aeroporto do Galeão (hoje Aeroporto Internacional Tom Jobim). Na primeira fila para cumprimentar a artista, um ansioso marechal Teixeira Lott, então ministro da Guerra do governo JK, aguardava com um sorriso nos lábios e a mão estendida. Flashs que espocavam incessantemente das câmeras dos fotógrafos e as lâmpadas dos cinegrafistas danificaram a maquiagem da diva, que, com bom humor, recusou pousar para fotos de perto.
Antes de dirigir-se ao Copacabana Palace, onde se hospedou, respondeu à apenas uma pergunta dos repórteres. Com sua voz rouca, disse ao jornalista, que inquiria sobre suas primeiras impressões do País, “o senhor já encontrou alguém que lhe dissesse não estar feliz ao chegar ao Brasil?”. Sim, a figura loira e altiva que atravessava os salões do aeroporto sabia projetar também fora das telas o mesmo encanto gélido.
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À cada aparição pública no Brasil, sua figura real não parecia distante das personagens que lhe renderam a fama de símbolo sexual do cinema. Sempre simpática em suas entrevistas, distribuiu sorrisos e encantou a todos. Mas, suas respostas eram curtas e objetivas, e quando fãs e jornalistas queriam saber mais sobre sua vida ela se revelava, como nos filmes “estática e indiferente á vertigem provocada pela sua presença”, como descreveu matéria do Estadão.
Femme Fatale. Além de sua biografia, a cobertura da vinda da atriz contou também com uma detalhada filmografia. Um perfil de página inteira, publicado no Estadão de 26 de julho de 1959, contava como o papel de Lola-Lola em O Anjo Azul (1930) alçou a artista berlinense ao sucesso internacional e como Dietrich “pelo seu poder de sedução física, sua insensibilidade, sua indiferença, seu domínio frio e calculado da circunstância, foi denominada a Fatal.”
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