Após 7 anos proibido, censura liberou 'Último Tango em Paris'

Edmundo Leite - Estadão

05/11/2019 | 12h08   

Filme com Marlon Brando e Maria Schneider só estreou no Brasil em novembro de 1979

Marlon Brando e Maria Schneider dirigidos por Bernardo Bertolucci

Marlon Brando e Maria Schneider dirigidos por Bernardo Bertolucci Foto: Divulgação

Proibidão no Brasil desde o seu lançamento no exterior em 1972, o filme 'O Último Tango em Paris' chegou às telas brasileiras no final de 1979, quando o País vivia o período de abertura da ditadura militar e a censura afrouxava os seus critérios de liberação de obras antes consideradas subversivas ou imorais.

Dirigido por Bernardo Bertolucci e estrelado por Marlon Brando e Maria Schneider, o filme causou furor desde as suas primeiras exibições nos Estados Unidos e Europa, em 1972, e a estreia comercial, no ano seguinte. O motivo eram as cenas de sexo entre o casal protagonista, que entrariam para a história do cinema.  Anos depois, o filme voltaria a chocar com a revelação de Bertolucci que Maria Schneider não sabia previamente dos detalhes da cena e foi estuprada por Brando para dar mais realidade ao filme.

Notícia da liberação de 'O Último Tango em Paris'

Notícia da liberação de 'O Último Tango em Paris' Foto: Acervo Estadão

A proibição no Brasil fez com o que o filme entrasse até para as dicas de atrações durante viagens ao exterior, como mostra a edição do jornal de 8 de fevereiro de 1973, e como cantou Raul Seixas, lamentando a censura ao filme na música 'Super Heróis', em parceria com Paulo Coelho, de 1974: "Lá em Nova York todo mundo é feliz. Vi o Marlon dançando o último tango de Paris"

Indicação de 'O último Tango em Paris' em roteiro de viagem no exterior

Indicação de 'O último Tango em Paris' em roteiro de viagem no exterior Foto: Acervo Estadã

Na véspera da estreia brasileira, o crítico Rubens Ewald Filho analisou o filme, o impacto da sua proibição e do tempo decorrido que fez com que já não fosse mais tão chocante quanto antes. Sob o título 'Um mito, verdadeira obra de arte', Rubens escreveu:

"Sete anos depois, o que o espectador brasileiro vai assistir não é um mero filme, mas um mito. E não haverá maneira de, diante de tamanha expectativa, se evitar o desapontamento. Não, "O Último Tango em Paris" não é um filme erótico, Ao contrário, não havia motivo para ele não ter sido liberado antes, já que mesmo suas duas famosas cenas de sexo: a sodomia com a manteiga e fragelação do personagem masculino com uma massagem na próstata, são na verdade cenas de violência, de sado-masoquismo (e devem, sem dúvida ter influenciado "O Porteiro da Noite") (...)  (...) Muito mais chocante do que as cenas de sexo é o desnudamento psicológico dos protaginistas. 'O Último Tango' traz indiscutivelmente a melhor interpretação da carreira de Marlon Brando, na época com 48 anos. Sua entrega ao filme é total...

Notícia da estreia de 'O Último Tango em Paris'.

Notícia da estreia de 'O Último Tango em Paris'. Foto: Acervo Estadão

Cartaz da estreia de 'O Último Tango em Paris'

Cartaz da estreia de 'O Último Tango em Paris' Foto: Acervo Estadão

Apesar da aula de cinema de Rubens Ewald Filho acima, o que ficou mesmo na memória popular foi a cena da manteiga. Até quem nunca viu o filme sabia do que se tratava. Um pouco pelo boca-a-boca e muito pela impagável tiração de sarro dos Trapalhões, com Didi e Zacarias protagonizando uma das mais memoráveis e hilárias cenas da televisão brasileira para toda uma geração: 

- Papai eu quero me casar

- ô minha fia você diga com quem

- Eu quero me casar com o Marlon Brando.

- Com o Marlon Brando ocê não casa bem.

- O Marlon Brando manteigou a Maria Xinaidá e adepois vai manteigar você também

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