Em 1963, sargentos se levantaram contra inelegibilidade

Liz Batista - O Estado de S.Paulo

06/02/2019 | 00h07   

Revolta militar por maior participação política se instalou em Brasília e foi debelada em poucas horas

Os tanques da 11.ª Região Militar ocupam posição estratégica, enfileirando-se nas proximidades da praça dos Três Poderes, durante a Revolta dos Sargetntos em 12/9/1963. Foto: Acervo/Estadão

Os tanques da 11.ª Região Militar ocupam posição estratégica, enfileirando-se nas proximidades da praça dos Três Poderes, durante a Revolta dos Sargetntos em 12/9/1963. Foto: Acervo/Estadão Foto: Acervo/Estadão

Às 2 horas da manhã do dia 12 de setembro de 1963 o levante militar conhecido como Revolta dos Sargentos se instalou em Brasília. Cerca de 650 sargentos, cabos e soldados da Marinha e da Aeronáutica participaram da insurreição motivada pela decisão do Supremo Tribunal Federal de reafirmar a inelegibilidade dos sargentos para mandatos legislativos, prevista na Constituição de 1946. A resolução, que levou à cassação de mandatos dos sargentos eleitos, era contrária à demanda do setor que pedia por maior participação política e que em suas fileiras contava com apoiadores das chamadas reformas de base propostas pelo governo do presidente João Goulart

 

O Estado de S.Paulo- 13/9/1963

O Estado de S.Paulo- 13/9/1963 Foto: Acervo/Estadão

Liderados pelo sargento da Aeronáutica Antonio Prestes de Paula, os rebeldes ocuparam o edifício do Ministério da Marinha nas primeiras horas da manhã. O Exército agiu rápido. Tanques e tropas de paraquedistas foram deslocados para proteger o Congresso Nacional e formaram “uma barreira compacta de viaturas pesadas na Esplanada dos Ministérios”, dizia a cobertura Estadão. Pouco depois do amanhecer, tropas do Comando Militar de Brasília desalojaram os invasores do prédio da Marina e às 10h30 um comunicado do Palácio do Planalto foi emitido dizendo que todos os serviços públicos estavam restabelecidos e que na capital da República reinava “absoluta tranquilidade”.  Um fuzileiro naval e um civil foram mortos durante o levante.

 

Um carro de combate toma posição, guarnecendo prédios federais em Brasília. A pronta ação das unidades blindadas e da Infantaria do Exército develou em poucas horas o movimento sedicioso deflagrado na manhã de 12/9/1963. Foto: Acervo/Estadão

Um carro de combate toma posição, guarnecendo prédios federais em Brasília. A pronta ação das unidades blindadas e da Infantaria do Exército develou em poucas horas o movimento sedicioso deflagrado na manhã de 12/9/1963. Foto: Acervo/Estadão Foto: Acervo/Estadão

O presidente João Goulart não se encontrava em Brasília, cumpria agenda de compromissos no Sul do País. À noite retornou à capital, e realizou uma coletiva de imprensa assim que desembarcou. À imprensa, afirmou: “quero reafirmar nesta hora que o governo será sempre inflexível na manutenção da ordem e na preservação das instituições, respeitando e fazendo respeitar as decisões dos poderes da República. Neste propósito, não tolerarei a indisciplina nem a insubordinação, venham de onde vierem e qualquer que seja o pretexto em que se inspirem. Somente em clima de segurança e normalidade democrática pode o povo brasileiro concretizar as reformas institucionais que correspondam ás suas aspirações de progresso e justiça social.” O evento dividiu a opinião pública e conferiu munição à oposição que afirmava que o governo Goulart insuflara a ação dos rebeldes. No total 510 militares foram presos. 

 

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